domingo, 29 de dezembro de 2013

MONSTRO QUE SOU

Cabeça vazia... Sem pensamentos... Sem direção... Sem noção do que está fazendo...

Me sinto assim, perdido, alienado, sem ter para onde ir.

Antes de vir para o Ceará eu escrevia, um escritor amador sem nada muito excepcional a oferecer, mas alguém que sabia o que queria estar fazendo. Ultimamente tenho me sentido incapaz de escrever uma simples história, desregulado, sem um tempo de folga de mim mesmo. Isso faz muita falta...

Lembro-me que em São Paulo eu seguia uma rotina, principalmente por causa dos meus pais e irmãos: eu tinha que acordar cedo pela manhã para usar a internet, a tarde e a noite ficavam reservadas para a escrita, para o exercícios da imaginação, e comumente durante a madrugada, por tempo indeterminado eu ficava na lage da garagem que fica ligada ao quintal da minha casa no mesmo nível, andando de um lado a outro, passando do quintal para a lage, da lage para o quintal, discutindo comigo mesmo sobre as coisas da vida. Era a minha rotina, eu sabia o que estava fazendo. Agora não, agora é diferente...

Toda segunda-feira aqui no Ceará, tem feira de rua no centro urbano de Pereiro, por causa disso, é comum que todas as segundas-feiras meus pais e eu estejamos lá para aproveitar a feira. Depois que aprendi a dirigir, sou eu que levo meus pais até lá e os trago de volta. É um dia muito importante, como também um dia muito estressante, toda vez que tenho que dirigir a tensão me deixa com os nervos a flor da pele. Quando meu pai começa a me guiar nas manobras, já que eu não tenho a mínima noção de espaço, ele tem o péssimo hábito de dar a direção sem falar direção nenhuma... Isso me enlouquece! Eu fico completamente perdido! Começo a gritar e a xingar mesmo! Nessas horas, minha mãe já deixa preparado um suquinho de maracujá para me acalmar - às vezes nem isso funciona! No entanto, por mais que eu odeie esse lado da direção, dirigir se tornou a minha fuga. Sim, a coisa que eu mais tenho odiado fazer é também o meu único alento. Chego a ficar ansioso para estar no volante, não para me sentir dono de mim, sou de longe um bom motorista, mas para simplesmente sair daqui do sítio, ficar longe daqui, andar, sair da péssima rotina em que entrei.

É tudo tão confuso, os momentos que eu tinha para escrever e para pensar era o que me sustentavam como pessoa? Provavelmente sim... Não me reconheço mais...

Sou um monstro, disso não tenho dúvida, não por que eu cometa atrocidades inomináveis, não é isso. Sou um monstro por querer exigir das pessoas o que elas não podem me dar, por que vivo num mundo bizarro, cruel e insensível, por que não importa o quanto eu queira ser gentil, as pessoas não terão o mesmo cuidado. Sou tão ignorante e idiota quanto qualquer outra pessoa, eis o que me nomeia o monstro que sou.

Por mais que se diga que amizade é isso ou aquilo, não passa de uma palavra que a maioria dos brasileiros nunca levou ao pé da letra. Sou um monstro sem amigos e o que é pior,  por simplesmente não poder dar as pessoas o que elas querem. Quando se oferece apenas o pouco que se tem, no meu caso, as pessoas foram se afastando uma a uma. Com a mudança de cidade, acho que isso se tornou definitivo. Eu tinha um pouquinho de pessoas que gostavam de falar em amizade, talvez eu até pudesse chamá-las de amigas, em contrapartida, elas nunca quiseram realmente estar comigo - sou um monstro, lembra-se? Não sou o tipo de pessoa que chama a atenção, por mais que eu queira, por mais que eu tente, eu não chamo a atenção, sou um monstro solitário. Nem todo mundo sabe o quão é horrível estar aqui, ter cometido erros e não poder pedir desculpas. A amizade é tão mentirosa quanto o amor? No meu caso, sim...

A amizade supostamente deveria ser um laço entre duas pessoas, se uma não está bem, a outra deveria ser a ajuda que a outra procura. Muitos tem isso em mente e acreditam nisso, realmente confiam em pessoas que consideram como amigas e nem sequer pensam no significados desta palavra. A pessoa precisa de ajuda, de apoio moral e não tem nenhum. Onde estão os amigos? Os que se diziam meus amigos dificilmente leriam este texto, na verdade, sou tão medíocre que ninguém irá ler estas linhas, chegar a estas palavras e dizer a si mesmo que mudará a própria vida por perceber que não sou o único que se tornou um monstro solitário.

Enquanto isso, várias outras pessoas levam a vida numa boa e me parece que sou o único que nunca irá para uma faculdade, que irá conseguir um emprego descente, que nunca irá conseguir ser feliz e realizado na vida. Em Janeiro, dia 17, faço 23 anos, 5 anos desde que terminei o ensino médio e nada da minha vida significar alguma coisa. Não sou humano, sou um monstro, pois vivo uma vida de mentira...


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

ANJO NO VOLANTE

Estava eu tentando finalmente ler FILHOS DO ÉDEN: Herdeiros de Atlântida, depois de um longo tempo sem conseguir pegar nada pra ler e me deparo com a seguinte passagem:



Levih, tô contigo e não abro! Hahaha... Sei bem como é isso!

Eu já deveria ter terminado de ler o livro, no entanto, com a mudança (sim, ele veio de São Paulo) eu mal consegui pegar nele, uma espécie de bloqueio. O tempo passou, meu pai comprou um carrinho usado, o HUX, eu tive algumas lições para dirigir e agora sirvo de motorista para os meus pais. Agora que retomo a leitura me deparo com isso?! Não tem como não rir! Eu sou 'puro nervos' na hora de dirigir! Me atrapalho aqui e ali e perco a paciência, principalmente na hora de fazer uma manobra. Quem sabe com isso eu pense melhor em relação a direção, que acham? Se até anjos se atrapalham!



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

ÁRVORE DE NATAL



Está é a minha árvore de natal este ano...

Quem cortou minhas asas? Quem roubou o meu futuro?



Prevejo que a economia brasileira entrará em colapso...

Não porque o fluxo monetário irá sofrer finalmente com as crises econômicas exteriores, não, o Brasil irá sofrer com seu próprio descaso.

Para ser um país realmente desenvolvido, é preciso que a população encontre respaldo na educação, na saúde, nos direito, na justiça e no trabalho.

O Brasil tem um dos piores índices educacionais - gerando cidadãos que não compreendem o que fazem, devem fazer ou mesmo lutar por seus próprios direitos, facilmente alienados pela TV ou por falsas esperanças.

A saúde no Brasil é duvidosa, você nunca sabe se num caso grave você sairá vivo ou morto, se haverá sangue suficiente, se um transplante poder ser uma opção... Enfim, é melhor ficar saudável do que pensar em qualquer possibilidade de recuperação no sistema público de saúde.

"Pobre vai pra cadeia, rico faz o que quer", quem nunca ouviu essa máxima brasileira? É mais fácil uma pessoa sem recursos ser inocentada (com um belo atraso, diga-se de passagem) do que um milionário ou pessoa influente ser incriminada por crimes com provas evidentes de que ele é o culpado.

Quem quer sobreviver, trabalha. Não há duvidas disso! No entanto, em que condições nos vemos para trabalhar? Passa-se a maior parte do ano trabalhando para pagar impostos; passa-se a vida inteira pagando pela futura aposentadoria e quando você mais precisa dela, a previdência tem 'gastos' com você; se você tem uma formação ou experiência em carteira, a empresa paga pelos benefícios mínimos necessários a sua sobrevivência - isto num mercado de trabalho em que a maioria trabalha informalmente; etc, etc, etc...

Tudo está errado e a massa populacional é tão bem alienada que, mesmo percebendo isso, não luta, não exige, esmorece e deixa de lado.

O governo tem em suas mãos uma grande bomba, tic tac, tic tac, tic tac...

No mais, o Brasil está agindo como um novo rico, acha que tudo está perfeito e quando menos perceber, todo o dinheiro acabou, não haverá ninguém que possa custear a inflação, não teremos intelectuais para atravessar a crise, pessoas irão morrer aos milhares, trabalhadores se revoltando contra suas empresas...

Tapa-buracos não funcionam com depressões repentinas!

sábado, 30 de novembro de 2013

FOTOS: INDO PRO MOUCO 30/11/2013

Mais uma vez estou eu aqui mostrando as minhas fotos que refletem o mundo em que estou vivendo agora. Desta vez eu fui até o Mouco (aqui se fala 'môco') com a minha mãe e meu primo Albino (não, ele não é branco, é o nome dele mesmo). Essa é uma região assim como o Sítio de Fora, uma espécie de bairro que difere um lugar do outro. Minha mãe precisava comprar um pouco de coentro e no Mouco mora uma mulher conhecida como Fafá e seu marido que vendem por um preço módico. Estas são as fotos que tirei durante a caminhada até lá, que fica a alguns quilômetros do Sítio de Fora, da casa de Fafá, e de algumas mais que tirei durante a volta.


Ovos secos e vazios de Nambu (ou Iambu), pássaro de porte pequeno e sem cauda.


Adorei os caminhos mais fechados que lembravam bosques.


Um cupinzeiro. Ele parecia um enorme ovo de terra!

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

FOTOS: AQUI DO LADO 28/11/2013

Resolvi dar uma volta aqui perto de casa, ir além de onde eu já tinha ido, e descobri algumas coisas interessantes.


Perto de casa ficam alguns terrenos do meu tio Leonardo que ele costuma usar para deixar seus bodes e cabras. Por causa disso, chamo a vereda que leva até lá de Caminho dos Bodes, e, consequentemente, o morro de Alto dos Bodes. Esta é uma vista de lá de cima, mostrando o Caminho dos Bodes abaixo.


Alto das Pedras, nas terras de Josias. Visto do Alto dos Bodes.


O vale visto do Sítio de Fora.


O alto da serra.


A região além da serra, entre as terras de Josias e as terras do finado Zé Pinheiro.
Mais ao fundo está Jaguaribe. A cidade fica mais para a direita (norte), não sendo possível vê-la.


A casa e o sítio de Josias, ainda no Alto dos Bodes.


O limite do Alto dos Bodes, descendo para o vale logo abaixo.


Vista da serra.


Pro outro lado, a Pedra de Bico.



Antes de chegar nas terras de Raimundo de Melquide, da família Martins, parentes da finada Dona Lô, encontrei esta porteira que sai por uma vereda. Pelo que se sabe, antigamente se utilizavam terras mais dentro da mata para cultivo, deixadas de lado nos dias de hoje. O que há no fim deste caminho é um mistério...



O Alto dos Bodes é repleto de pedras grande com terra arenosa,
há algumas árvores e um punhado de plantas, no entanto, é uma área bem aberta.


Pé de Jurubeba (Solanum paniculatum L)
Possui fruto comestível de sabor amargo muito semelhante a uva, a qual também se pode fazer vinho ou cachaça. O chá dessa planta serve para o fígado, entre outras coisas.



O Alto das Pedras, agora, mais perto, nas terras de Josias.


O Sítio de Josias do Alto das Pedras.


Cebola-Brava, espécie Habranthus, família das herbáceas.
(Não consegui encontrar o nome completo, pois parece que esta em específico ainda não foi catalogada corretamente).
Não confundir com o Lírio Branco, da espécie Liliun!

Esta é uma planta típica de locais secos e ensolarados como o nordeste. Durante a estiagem, ela seca, retendo os nutrientes apenas em seu bulbo. Quando chove (faz uns vinte dias e poucos dias que houve uma chuvinha considerável em praticamente todo o estado), ela cresce novamente, desabrochando suas flores. Consegui pegar esse momento especial!

Curiosidade: Na época em que existiram índios nos sertões,
eles usavam uma toxina encontrada no bulbo da Cebola-Brava em suas flechas.



O cume do Alto das Pedras das terras de Josias.


Esta aqui é um perigo!
Meus pais me disseram que esta plantinha pequenina que cresce sorrateiramente em vários lugares, até mesmo junto de outras plantas, é chamada de Urtiga nesta região! Ela não é a mesma plantas que cresce como arbusto, no entanto, seus pelos possuem o mesmo efeito urticante e é melhor não chegar perto!


E não é que encontrei uma urtiga crescendo perto de casa no caminho de volta?!

domingo, 24 de novembro de 2013

FOTOS: JAGUARIBE 24/11/2013

Meu pai queria trazer Adália, a tia dele, para passar um ou dois dias aqui no sítio e por isso fomos até Jaguaribe, cidade vizinha a Pereiro, para visitá-la, e aproveitarmos a rápida passada para irmos a feira jaguaribense e comprar o macaco hidráulico do HUX, nosso carro. Infelizmente ela não estava bem disposta, estava mal de um dos pés e preferiu não vir, uma vez que além de vir ao sítio, queria visitar outros parentes daqui de Pereiro. Enquanto isso, fui tirando algumas fotos. Aqui vocês conferem as flores do quintal de Dona Adália, e algumas outras fotos tiradas em Jaguaribe.









Olha o HUX ali!


Adoro tirar fotos de gatos, isto é, quando eles deixam...


Panorama tirado próximo a casa de Adália, que fica ao extremo da cidade, a nordeste do centro, região que está em construção.


Esta foto foi tirada numa praça próxima a feira de Jaguaribe, com o Palácio da Intendência ao fundo.


Interessantes essas estruturas...


Foto tirada no meio da feira de rua de Jaguaribe. Não gostei muito da qualidade dos produtos, além de termos sidos lesados em R$1 na hora do meu pai comprar maçãs e termos esquecido de levar uma meia melancia que já havia sido paga...


Era aquela meia melancia ali, à esquerda, que ficou...


O Mercado do Peixe de Jaguaribe, uma estrutura novinha muito mal aproveitada.

Não sei como as pessoas compram comida nesses lugares!

A VERDADE NUA E CRUA: A falta de higiene e cuidado está presente em todos os lugares! Tanto aqui quanto no, argh!, mercado municipal de Jaguaribe! Meu pai passou no mercado municipal pra poder se aliviar e acabei aproveitando pra ir também... PQP! Que nojo, a m&rd@ tava boiando na privada, não havia descarga e, ainda por cima, havia um cano desperdiçando água, molhando o chão! Por um acaso, o mercado é usado como açougue, tem vários cortes de carnes... daquele jeito que você não tem a mínima vontade de comprar! Meu pai, já acostumado com esse tipo de compra, foi lá comprar um pouco de carne... Ainda bem que eu não como desse tipo de carne! No Mercado de Peixes, pensei que por ser um lugar mais novo, um estrutura mais limpinha, estaria melhor... Ledo engano! A forma de exposição das carnes é praticamente a mesma, sem contar que alguém, após ter tirado a carne dos peixes, deixou os restos de vários deles no meio do chão. O que me leva a relatar sobre outro problema em Jaguaribe, o lixão a céu aberto na Rodovia BR116. Ali, sem nenhum cuidado, o lixo é depositado e falsamente compactado, se você observar o lado oposto da rodovia, você verá diversas sacolas plásticas penduradas pelo vento nas plantas que ali estão... Falem sério! Isso não pode ser normal! Não faria nenhum mal Jaguaribe ser melhor organizada, muito se perde com a administração falha de seus comerciantes, lugares que poderiam ser mais bem cuidados, limpos, apresentáveis... Isto sem contar no calor! Tudo bem que o governo não tem nada haver com isso, entretanto, mesmo se você estiver na sombra, o sol que bate no chão é tão forte que parece estar queimando seu rosto. Enfim, foi uma experiência nada agradável conhecer essa parte de Jaguaribe!


Um gatinho (ou gatinha?) solitário, próximo ao Mercado do Peixe. Não sei porque ele estava ali, mas me deu muita pena dele. É sempre triste pensar que você também faz parte das pessoas que não fazem nada para ajudar a vida animal...



Compramos o macaco hidráulico do HUX! E também a chave de roda, que tava precisando! Além disso, também compramos um pouco de graxa e um desodorizador pro HUX ficar cheirosinho por dentro!

É a segunda vez que vou a casa de Dona Adália, é uma pena que Jaguaribe não seja uma cidade tão boa pra se estar... Eu tinha ficado feliz e entusiasmado quando vi uma banca de jornal próximo a feira, não comprei nada, mas só pelo fato de ali haver uma banca de jornal, já me deixou muito feliz.

Espero que tenham gostado das fotos e que entendam a minha crítica a cidade, nem mesmo São Paulo escaparia de umas poucas e boas! Se algo puder ser feito, que seja feito o quanto antes! Ficar esperando que tudo se resolva com o tempo quando ninguém percebe essas falhas só perpetua a irresponsabilidade da população e do governo...