terça-feira, 22 de abril de 2014

BALSOS, PEREIRO - CE

Depois de 18km de solavancos e um motorista (eu) com os nervos a flor da pela, enfim, os Balsos! Juro que pensei que não conseguiria chegar! Por mais que eu tivesse feito aquele pequeno pedaço do caminho a pé anteriormente, não imaginava como poderia ser o resto do caminho. Eu segurava firme no volante e por vezes tinha que obrigatoriamente engatar a primeira marcha. Teve até um momento em que ela desengatou sozinha por causa de um solavanco! Meu pai dizia: "Segue a trilha". Eu gritava: "Que trilha?! Tem trilha nenhuma aqui!", isso desde a Serra Branca. E ele insistia: "Segue a trilha das motos". No que eu contradizia: "Isso é um carro! Não dá pra usar trilha de moto!", só para vocês terem ideia de como eu estava (imagine alguns bons palavrões também, quando fico nervoso desato a xingar descontroladamente). Apesar dos pesares, conseguimos chegar a Vila dos Balsos... só que quando meu pai parou para perguntar onde que ele poderia comprar um bode desse tal criador, descobrimos que a propriedade dele não fica na vila! A região dos Balsos engloba vários quilômetros para o interior de Pereiro - isto sem contar que existe os Bastiões, que ficam além dos Balsos!

Bem, lá fomos nós, já avisados que o caminho, que deve ser pego antes da entrada na encruzilhada para a vila, não poderia ser percorrido por um carro. E realmente não pode! O HUX é um carrinho popular, não foi feito pra atravessar uma descida de pedra (uma rocha enorme) suficientemente ingrime para travar a direção e, possivelmente, impedir que o veículo voltasse após a decida. O carro ficou para trás e percorremos o caminho a pé... só uns 40 minutos de distância! Meu pai já queria voltar e eu disse: "Vamos logo de uma vez! Nunca mais eu volto aqui!" Felizmente, conseguimos encontrar o criador de bodes (NOTA: depois do perrengue ele poderia nem estar no sítio!), e meu pai encomendou o animal para o abate. Depois que deixamos o carro, lá atrás no morro, foi que ele se lembrou que não dava pra levar o bicho no porta malas... O criador de bodes que ficou de levar ele pro Sítio Dona Lô no final do dia e no dia seguinte abater o animal. Definitivamente uma aventura e tanto!

Abaixo seguem as fotos que pude tirar fora do carro, já que EU era o motorista...
Aproveite!

NOTA: As fotos compridas são panoramas, clique para ampliar.


A vista da Vila dos Balsos e do outro lado...


A VILA DOS BALSOS
11 casas lado a lado, energia elétrica é uma das poucas regalias de cidade grande por aqui.
Se você quiser mais, precisa mandar buscar, pois praticamente ninguém entrega nessa região,
isso sem contar no alto custo que uma travessia difícil teria.


A PROPRIEDADE DO CRIADOR DE BODES
Como se não bastassem os 18km até chegar à Vila dos Balsos,
tivemos que percorrer a pé um bom pedaço de chão, cerca de 40 minutos.





CASA ANTIGA
Para passar o tempo na propriedade com seus animais, o criador de bodes fica nessa casinha.
Ele mora no centro urbano de Pereiro, mas, quando precisa, ele dorme aqui.
Em tempos de modernidade, ainda se usa casas assim.
Por causa da seca, estava difícil pra ele tirar água do cacimbão (poço) todo dia,
por isso recentemente o criador de bodes mandou colocar energia elétrica na propriedade,
assim ele pode usar uma bomba d'água para dar de beber aos animais.
Até então, em pleno século 21, não havia eletricidade nessa casa!
Falo isso porque as propagandas insistem em anunciar coisas distantes dessa realidade,
como se o país inteiro compartilhasse de todos os recursos da modernidade...





Pode não parecer, mais isso aqui era um açude,
essa pequena área verde juntava água.



Colmeia de abelhas,
já sem seus ocupantes...




A criação de bodes.


Os restos mortais de uma antiga máquina de costura...


O CERCADO DO BODES
O chão está repleta das bolinhas que os animais fazem...




As mangueiras estavam carregadas na época.


CABRITINHO
A mãe deste recém-nascido (não deve ter mais que algumas semanas), ficou doente
e não pode amamentar o filhote que estava resistindo sem ela.


Um lagartinho escondido...



O caminho de volta até o carro... Só uns 3 km...




Será que se houvesse muita água, aqui poderia ser uma cachoeira?
(risos)


Antes de chegar no carro, parei e olhei para trás.


O carro ficou no alto do morro, se ele tivesse descido para ir até a casa do criador de bodes,
ele não iria voltar... Sério, somente motos passam por aquele caminho!


Ainda é difícil acreditar que, mesmo tendo diversas dificuldades em se viver aqui,
várias famílias moram nessa região...

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